Memória da Música

O Estilo Antigo na prática musical religiosa paulista e mineira dos séculos XVIII e XIX.

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O Estilo Antigo na prática musical religiosa paulista e mineira dos séculos XVIII e XIX.

Tipo de documento:
Tese de Doutorado

Autor:
Paulo Castagna

Orientador:
Arnaldo Daraya Contier

Local:
USP - FFLCH

Data:
2000

Publicação - Livros / Artigos

Assunto:
Estudo sobre a presença do estilo antigo, que vem do renascimento europeu (século XVI), na produção musical de São Paulo e Minas Gerais dos séculos XVIII e XIX.

Palavras-chave:
Séculos XVIII e XIX; Música Colonial; Práticas Musicais; Estilo Antigo; São Paulo - Minas Gerais

Resumo:
A produção musical religiosa em São Paulo e Minas Gerais, nos séculos XVIII e XIX, tem sido estudada a partir da concepção de que foram empregados estilos únicos em determinadas épocas e regiões. Neste trabalho pretende-se demonstrar a existência, em acervos paulistas e mineiros de manuscritos musicais, de obras religiosas em estilo antigo, que exibem a manutenção de técnicas composicionais da música renascentista européia (século XVI, mas foram produzidas e/ou copiadas nos séculos XVIII e XIX: suas características são contrastantes com as das obras em estilo moderno do mesmo período, que utilizam técnicas originárias da ópera e da música instrumental profana. Após um levantamento em dez acervos, foram descritas e estudadas cento e quarenta e cinco composições em estilo antigo, procurando-se compreender suas principais características e sua função na prática musical religiosa paulista e mineira desse período. Além de terem sido detectados três sistemas de notação musical e vários tipos de composição para a mesma função cerimonial, concluiu-se que o estilo antigo concentra-se em cópias sem indicação de autoria, principalmente destinadas à Semana Santa, e que este não foi utilizado, em São Paulo e Minas Gerais, como mera alternativa estética, mas sim como uma forma conservadora de respeito às prescrições litúrgicas. Por ainda possuírem função nas cerimônias católicas, também foram copiadas, nessa época, composições em estilo antigo produzidas na Europa (especialmente em Portugal), em período anterior ao século XVIII.

Fontes:
Discografia
• A música das Minas gerais do século XVIII (LP). Orquestra e corpo coral estável da escola de música da UFMG. Ângela Pinto Coelho, regente. Belo Horizonte, Pró-reitoria de Pesquisa e Escola de Música da UFMG, 1990.
• Desenredos (CD). Coral Altivoz. Mário Robert Assef, regente, RJ, UERJ, DC9901, 1999.
• História da música brasileira: período colonial (CD). Orquestra e Coro Vox Brasiliensis. Ricardo Kanji, regente. SP, Eldorado, 946137, 1998.
• Ladainhas, lamentos e ladeiras (CD). Orquestra de Câmara de Indaiatuba e Madrigal Cantátimo. Marcelo Antunes Martins, regente, SP, Eldorado, 946139, 1999.
• Música brasileira e portuguesa do século XVIII. Américantiga Coro e Orquestra de Câmara. Ricardo Bernardes, regente. Curitiba, s/ed. 1999.
• Música sacra do Brasil (CD) Choeur et Orchestre Vox Brasiliensis. Ricardo Kanji, regente. França, K617, K617096, 1999.
• Senhora del mundo (CD). Collegium Musicum de Minas. Domingos Sávio Lins Brandão, regente. Belo Horizonte, Localiza, 1998.
• Teixeira, Antônio. Te Deum (CD). The Sixteen. Harry Christophers, regente. London, Collins Classics Digital Recording, 13592, 1992.

Documentação histórica
• Catedral de Mariana: Inventário de 1749-1904. AEAM, código p-16.
• Diocese de São Paulo: apontamentos, paróquias, capelas e clero, 1830 –1904. ACMSP, código 3-2-43 (antigo 12-2-47)
• Fábrica da catedral de Mariana 1749-1869. AEAM, código p-11 (sala 20)
• Fábrica da Sé catedral de São Paulo (1849-1854). ACMSP, código 3-2-19.
• Inventário da catedral de São Paulo – 1747-1876, ACMSP, código 1-2-20
• Irmandade das almas 1725-1743 – Freguesia de Nossa senhora da Conceição do Rio das Pedras – Acuruí. AEAM, código a-6.
• São Paulo: Parochia da Sé; livro de receita e despesa da fábrica da Sé de 1/1/1748 a 1/1/1817. ACMSP, código 2-3-42.
• Série microfilmes de música religiosa brasileira IEB/USP, rolo n 8.
• Série programas musicais, teatrais, de dança, lítero-musicais e literários, brasileiros e estrangeiros. IEB/USP, código Pmb 196, caixa 1.

Bibliografia específica:
ANDRADE, Mário de. Padre Jesuíno de Monte-Carmelo. SP, Livraria Martins ed., 1963.
ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil: texto confrontado com a edição de 1711. Belo Horizonte/SP, Itatiaia/Edusp, 1982.
CERNICCHIARO, Vincenzo. Storia della musica nel Brasile dai tempi coloniali sino ai nostri giorni – 1549-1925. Milano, Fratelli Riccioni, 1926.
DUPRAT, Régis. Música na Sé de São Paulo colocial. SP, Paulus, 1995.
DUPRAT, Régis. “Música nos Mogis (Mirim e Guassú): 1760. Revista de História. SP, ano 15, v.28, n 58, p.349-366, Abril – Junho de 1964.
HOLANDA, Sérgio Buarque. História Geral da Civilização Brasileira. SP, Bertrand Brasil, 1993. Tomo I, v. 1 e 2.
LE GOFF, Jacques. História e memória. 3a. ed. Campinas, Ed. da Unicamp, 1994.
PRIORE, Mary Del. Festas e utopias no Brasil colonial. SP, Brasiliense, 1994.
SPIX e MARTIUS. Viagem pelo Brasil: 1817-1820. Vol. I-III, 4a. ed. Belo Horizonte/São Paulo, Itatiaia/Edusp, 1981.
TINHORÃO, José Ramos. História social da música brasileira. Lisboa, Caminho, 1990.

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