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Alegres dias chorões: o choro como expressão musical no cotidiano de Brasília anos 1960 - tempo presente.

Tipo de documento:
Tese de Doutorado

Autor:
Magda de Miranda Clímaco

Orientador:
Maria Therezinha Ferraz Negrão de Mello

Local:
UnB

Data:
2008

Publicação - Livros / Artigos

Palavras-chave:
Década de 1960 a 1990; Choro; Clube do Choro de Brasília; Identidade Nacional; Brasília - Rio de Janeiro

Resumo:
Texto em formato digital:
http://tinyurl.com/ygfx42v

A tese tem como objeto o gênero choro como expressão musical no cotidiano de Brasília. Buscou as múltiplas figurações que esse gênero musical instaurou no cenário brasiliense dos anos 1960 ao tempo presente, as condições em que se engendraram as tramas simbólicas que as objetivaram e que ainda as objetivam, o que norteou a narrativa desses percursos no sentido de situar, no entrecruzamento da história do choro com a história da cidade, permanências e re-elaborações, representações sociais e configurações identitárias. Esse contexto de buscas e respostas favoreceu a percepção de dois grandes processos de resignificação da tradição carioca no cenário brasiliense. Um primeiro processo possibilitou entendê-la como uma tática de ocupação do lugar do outro, interagindo com um momento de re-construção de identidades. Já o segundo processo, 1990 em diante, possibilitou identificar um cenário de encontros e de negociações mais acirradas do choro e dos chorões com outras dimensões culturais e sociais, com o cenário urbano pós-moderno. Essa última circunstância, por sua vez, levou à percepção do Clube do Choro de Brasília, re-estruturado, exercendo o papel de uma grande mesa de negociações, funcionando como uma base importante que permitiu a interação desse gênero musical com esse cenário e, nesse contexto e condição, como um ponto de inflexão entre os dois tempos enfocados. A observação dos dois processos inerentes a um dos mais acurados protótipos de cidade modernista, por outro lado, permitiu também a percepção da relação desse gênero musical com uma referência identitária nacional, com resíduos de um momento de construção simbólica da nação brasileira que caracterizou a cidade do Rio de Janeiro do final do século XIX e início do século XX, a capital do país que desejou ser moderna e que, em um viés metonímico, pretendeu representar também um Brasil moderno. Assim, o entrecruzar do já dito com o que está sendo dito, nos dois recortes de tempo trabalhados, a observação da polifonia de vozes implicada com a abordagem de uma prática discursiva inerente ao complexo de interações observado, permitiram afirmar que o objeto proposto é revelador de uma dentre tantas identidades que compõem a configuração identitária brasiliense, assim como permitiram observar que a percepção desta circunstância, que motivou a pesquisa, o modo de construção do objeto e a escolha das abordagens teórico-metodológicas baseadas na História Cultural, possibilitou também o reconhecimento da importância da música na encenação cotidiana e seu papel na maneira pela qual os indivíduos e grupos se percebem e interagem com o cenário que os rodeia.

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