Memória da Música

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A trajetória social, cultural e musical da banda de pífanos de Caruaru e a problemática histórica do estudo da cultura de tradição oral no Brasil (1924-2003)

Tipo de documento:
Dissertação de mestrado

Autor:
Cristina Eira Velho

Orientador:
José Geraldo Vinci de Moraes

Local:
USP - FFLCH

Data:
2009

Publicação - Livros / Artigos

Palavras-chave:
Década de 1920 até 1970; Banda de Pífanos de Caruaru; EtnomusicologiaTradição oral; Nordeste

Resumo:
Texto em formato digital: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-25112009-154629

Esta pesquisa consiste no estudo da prática musical da Banda de Pífanos de Caruaru, em sua trajetória cultural, social e musical, buscando compreender os sentidos constitutivos de sua cultura no sertão nordestino e as relações sociais e culturais estabelecidas no contexto da cultura brasileira urbana a partir da década de 60. Em um primeiro momento, procuramos compreender as formas musicais e os significados simbólicos da música da banda de pífanos no contexto de origem, no sertão de Alagoas e Pernambuco, de 1924 a 1939, as suas relações culturais e a sua concepção de mundo marcada pela oralidade. Em um segundo momento, procuramos reconstituir as relações culturais a partir da residência em Caruaru, entre as décadas de 40 e 70, no contato com o contexto urbano, e a sua experiência social a partir da década de 70 no Rio de Janeiro e em São Paulo, quando a sua música foi inserida nos meios de comunicação e na indústria fonográfica. Com isso, temos como objetivo refletir sobre o processo de trocas culturais e as transformações e permanências construídas em sua prática e linguagem musical, a partir da sua interação particular com o mundo moderno, em um processo de circularidade, na cultura musical brasileira. Ao situarmos o objeto como uma prática social expressiva da cultura oral e diante de suas especificidades metodológicas, foi necessário desenvolver uma abordagem interdisciplinar baseada no diálogo entre a história da cultura, a etnografia e a etnomusicologia.

Fontes:
I) FONTES ORAIS E ETNOGRÁFICAS:
1) Depoimentos orais dos integrantes da Banda, gravações musicais e registrosiconográficos (foto e vídeo) produzidos em pesquisa de campo.
2) Depoimentos orais de radialistas, músicos e produtores musicais, ligados à atividadem usical da Banda em Caruaru, Rio de Janeiro e São Paulo.
3) Documentação filmográfica: filme “Terra sem males”, dirigido por José Carlos Burle (1963), documentário que teve participação do grupo, trilha sonora do filme; filme “Faustão” , dirigido por Eduardo Coutinho (1971), do qual a Banda participou da trilha sonora e como figurantes; filme “Saudade do futuro” , produção franco-brasileira dirigida por César Paes (2000), que teve participação do grupo no elenco.

II) FONTES MUSICAIS:
1) Registros sonoros das gravações feitas em campo com os integrantes do grupo, das melodias dos pífanos e das percussões.
2) Registro sonoro de gravação feita em estúdio com Sebastião Biano para análise das estruturas melódicas.
3) Gravações e registros visuais das apresentações musicais do grupo.
4) Discografia composta pelas gravações originais da Banda feitas em estúdio: 6 LPs e 2 CDs, gravados entre 1972 e 2003, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
5) Transcrições musicais em partitura do repertório analisado.
5) Acervo Musical do Centro de Estudos Folclóricos da Fundação Joaquim Nabuco.
6) Registros sonoros do Acervo de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade de 1935 a 1938. Sociedade de Etnografia e Folclore/ Discoteca Pública Municipal. 249

III) ACERVOS DE FONTES ESCRITAS E ICONOGRÁFICAS:
- Centro Cultural São Paulo. Acervo de Pesquisas folclóricas de Mário de Andrade (1935-1938). SP: Centro Cultural São Paulo. Divisão de Bibliotecas. Discoteca Oneyda Alvarenga, 2000.
- ____________________. Catálogo histórico-fonográfico Discoteca Oneyda Alvarenga. SP: Centro Cultural São Paulo, 1993.
- Acervo de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade de 1935 a 1938. Sociedade de Etnografia e Folclore/ Discoteca Pública Municipal. Documentos textuais, filmes, fotografias, objetos etnográficos e instrumentos musicais.
- Acervo Mário de Andrade do Instituto de Estudos Brasileiros de São Paulo (IEB /USP).
- Acervo pessoal da família Biano (fotos, LPs, recortes de jornal, prêmios recebidos etc).
- Acervo do Centro de Estudos Folclóricos da Fundação Joaquim Nabuco.
- Arquivo do Estado de São Paulo: fundos “Última hora” e “Aqui São Paulo” - cultura popular, artes, acontecimentos musicais, vida cultural carioca e paulistana, Anos 70, cartões postais (cidades brasileiras), jornal “O Estado de São Paulo”, anos 1978-2003.
- Ernesto Veiga de Oliveira. Instrumentos musicais populares portugueses. (registros fotográficos). 2ª ed., Centro de estudos de etnologia peninsular/Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1982.


IV) Cronistas, jornalistas, artigos de época e fontes bibliográficas
1. Artigos em jornais e revistas:
- “A banda do sertão”, Revista Veja, São Paulo, Ed. Abril, 28 agosto 1972.
- “A Banda de Pífanos mostra o som de Caruaru”. Diário de São Paulo . São Paulo, 16 abril 1977.
- “A cantoria do sertão com a Banda de Pífanos de Caruaru e Irene Portela”. Diário da Noite, São Paulo, 26 outubro 1979.
- Almeida, Lucia. “Banda de Pífano estréia hoje no Teatro João Caetano”.Diário da Noite , São Paulo, 18 abril 1979. 250
- ____________. “Banda de Pífanos de Caruaru estréia (a autêntica raíz da culturapopular do Nordeste em terra tupiniquim)”. Diário de São Paulo. São Paulo, 18 abril 1979.
- Barreto, Fernando. “Descaracterização pode significar a extinção das bandas-de-pífano.” Diário de Pernambuco. Recife, 3 junho 1978.
- Caballero, Mara. “Inezita Barroso e a Banda de Pífanos entusiasmam a platéia do Seis e Meia - O Brasil é a voz aberta, é pregão, é voz para fora”, Jornal do Brasil, 14 julho 1977.
- Cirano, Marcos. “Nordeste sem copyright”. Opinião. São Paulo, 16 jun:26, 1976.
- Gusmão, Flávia. “A voz do sertão chega à Europa”. Jornal do Commércio, Recife, 17 outubro 1990.
- “Ícones do sertanejo no Vale”. Jornal Vale Paraibano, Vale do Paraíba, 8 abril 2006.
- Japiassu, Moacir e Leite, Ronildo Maia. “Cultura popular, o Nordeste denuncia quem exporta sua arte. ‘Os pesquisadores’ chegam e levam tudo. Só fica a iséria”. Revista Isto é. São Paulo, 17 agosto 1977.
- Lara, Paulo. “O folclore nordestino em cartaz na FAAP”. Jornal da Tarde, São Paulo, c. 1979.
- Magaldi, Sábato. “Um sopro revitalizador na linguagem popular”. Jornal da Tarde, São Paulo, c. 1979.
- Michalski, Yan. “Uma árvore com sólidas raízes”. Jornal do Brasil , Rio de Janeiro, c. 1979.
- Miranda, Antonio. “Leilão de instrumentos, o adeus da Banda-de-Pífanos de Caruaru”. Diário de Pernambuco. Coluna Viver, Cad. B:1, Recife, 6 março 1978.
- “Musical sertanejo”. Diário do Paraná, Curitiba, c. 1979.
- “O músico Benedito Biano”. Revista Veja, ano 32 - n° 51, São Paulo, Ed. abril, 22 dezembro 1999.
- “Os Pífanos de Caruaru no Pixinguinha: a zoada de um bichinho, o ronco de um carro de boi”. Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 15 junho 1979.
- Pacheco, Tânia. “A árvore dos mamulengos: muito bom, e só até domingo”. Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 15 julho 1979. 251
- ____________. “Curitiba conta Cabedelo (com música de Caruaru)”. Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 1979.
- “Projeto Pixinguinha chega a Florianópolis - Caravana liderada pela Banda de Pífanos de Caruaru se apresenta hoje no Álvaro de Carvalho”; “A caravana da música voltou: Repertório nordestino marca a apresentação da segunda edição do Projeto Pixinguinhaem Florianópolis”. Diário Catarinense, 14 abril 2006.
- Tinhorão, José Ramos. “Zabumba Caruaru. Muita gente pesquisa, mas é o povo quemcria.” Jornal do Brasil, Coluna Música Popular, Rio de Janeiro, 14 março 1974.

2. Texto em encartes de discos:
- Campos, Renato Carneiro. “Banda de Pífanos”, encarte do LP Música Popular do Nordeste Vol. 4. São Paulo, Discos Marcus Pereira, 1973.
- Vinícius, Marcus. Texto do encarte do LP Banda de Pífanos de Caruaru , São Paulo, Discos Marcus Pereira, 1979.

3. Artigos em periódicos:
- BRAUNWIESER, Martin. “O Cabaçal” In: Boletim Latino-Americano de Música. 6(6):601-606, Rio de Janeiro, 1946.
- “A Banda-de-pífanos”, Boletim Alagoano de Folclore. Maceió, Ano XVIII, pp. 9-81.
- TINHORÃO, José Ramos. “Música popular e música folclórica”. Boletim Alagoano de Folclore, Anos XXX-XXXIII, n° 11, 1987, pp. 83-90.

Periódicos/ Acervos
-Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, anos de 1972 a 1978.
- Jornal Última hora. Rio de Janeiro. Anos de 1968 a 1971.
- Opinião. São Paulo. 1976.
- Acervo Aqui São Paulo. (jornal) São Paulo. Anos 1975-1978 (1977-1978).
- Jornal O Estado de São Paulo. São Paulo. Anos 1978-2006.
- Jornal Folha de São Paulo. São Paulo. Anos 1978-2006.
- IBGE, Serviço Nacional de Recenseamento. Anuário Estatístico do Brasil 1962. Rio de Janeiro: IBGE, v. 23, 1962. 252

DISCOGRAFIA:
1) Bandinha de Pífano Zabumba Caruaru. 1972, gravadora CBS, Rio de Janeiro. (LP)
2)Bandinha de Pífano Zabumba Caruaru - Vol. II. 1973, gravadora CBS, Rio de Janeiro.(LP)
3) Banda de Pífanos de Caruaru. 1976, gravadora Continental, São Paulo. (LP)
4) Banda de Pífanos de Caruaru. 1979, gravadora Discos Marcus Pereira, São Paulo. (LP)
5) A bandinha vai tocar. 1980, gravadora Discos Marcus Pereira, São Paulo. (LP)
6) Raízes dos Pífanos. 1982, gravadora Copacabana, São Paulo. (LP)
7) Tudo isso é São João. 1999, gravadora Trama, São Paulo. (CD)
8) Banda de Pífanos de Caruaru, no Século XXI, no Pátio do Forró. 2003, gravadora Trama, São Paulo. (CD)

Bibliografia específica:
- BARBALHO, Nelson. “Zabumba”. Micromonografia n° 29, Centro de Estudos Folclóricos Mário Souto Maior, Fundação Joaquim Nabuco, Recife, 1977.
- BRANDÃO, Théo. “Folguedos e autos natalinos de Alagoas”. Jornal de Alagoas. Maceió, 25 dez., Cad.2:1.
- ___________. Folguedos natalinos de Alagoas. Estudo introdutório e descrição . 2ª.
Ed., Maceió: Departamento Estadual de Cultura – Secretaria da Educação e Cultura, 1961.
- CAJAZEIRA, Regina Célia de Souza. Tradição e Modernidade – o perfil das Bandas de Pífanos de Marechal Deodoro / Alagoas. Dissertação de Mestrado em Música. Salvador, UFBA, 1998.
- CANECA, Marco Antonio da Silva. O pífano da Feira de Caruaru: contexto, características, aspectos educativos. Dissertação de mestrado, Rio de Janeiro,Conservatório Brasileiro de Música, 1993.
- CROOK, Larry. “O pífano de taboca”. Micromonografia n° 203, Centro de EstudosFolclóricos Mário Souto Maior, Fundação Joaquim Nabuco, 1989.
- DALL’AGNOLL, Raimundo. “O tocador de pife”. In: Comunicações de professores do Departamento de Letras e Ciências Humanas à XI Reunião Brasileira de Antropologia. Recife: Universidade Federal Rural de Pernambuco, maio 1978, pp. 3-43.
- GUERRA-PEIXE, César. “Zabumba, orquestra nordestina”. In:Revista Brasileira de
Folclore. Rio de Janeiro, 10(26) ,jan./abr., 1970, pp.15-38.
- _____________. Os caboclinhos do Recife. In: Revista Brasileira de Folclore. RJ, (15):135-158, maio/ago., 1965.
- FIGUEIREDO FILHO, J. de. “Bandas cabaçais do Cariri”. In: Seraine, Florival. Antologia do folclore cearense, 2 ed., Fortaleza: Edições UFC, 1983, pp. 176-181.
- PEDRASSE, Carlos Eduardo. Banda de Pífanos de Caruaru: uma análise musical. Dissertação de Mestrado, Campinas, Instituto de Artes / Unicamp, 2002.
- PINTO, Tiago de Oliveira. “As Bandas-de-Pífanos no Brasil: aspectos de organologia,repertório e função”. In: Portugal e o mundo: o encontro de culturas na música / Portugal and the world: the encounter of cultures in music . Portugal, África e Brasil: adaptação, síntese e resistência. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1997, pp. 563-578.
- PINTO, Tiago de O. & ROCHA, José M. Tenório. “Banda-de-Pífanos die Instrumental-Ensembles dês Nordostens” In: Brasilien. Mainz, s/d.
- PIRES, Hugo Pordeus Dutra. A malícia do pife: caracterização acústica e etnomusicológica do pife nordestino. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro, Centro de Letras e Artes / UFRJ, 2005.
- ROCHA, J. Maria Tenório. Eh! Lá vem esquenta-mulher...: as Bandas-de-Pífanos do Nordeste do Brasil, em uma perspectiva histórico-cultural. Tese Doutoramento, São Paulo, ECA/USP, 2002.
- ______________________. “As bandas-de-pífanos do Nordeste do Brasil.” In: A Tribuna Piracicabana. Piracicaba (SP), 4 out. 1991. Edição regional, p.4.

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